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Minas Gerais contabiliza 70 encontros num universo de 854 municípios, o maior índice entre os Estados até agora. A média de participantes nas conferências municipais e regionais foi de 400 pessoas.
A articulação incluiu negros, quilombolas, indígenas, ciganos, árabe-palestinos, judeus, imigrantes e refugiados africanos. A delegação mineira deve ser uma das maiores na Conferência Nacional, com 59 delegados, sendo 48 da sociedade civil, oito indicados por municípios e três pelo Governo do Estado. De acordo com o superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Esporte e Subsecretaria de Direitos Humanos, Felipe Araújo, a intenção era mobilizar mais pessoas se o tempo tivesse sido maior. O crédito para a marca de 70 conferências municipais e regionais é dado ao trabalho da sociedade civil e do Conselho Estadual de Participação e Integração da Comunidade Negra. "Queremos pinçar políticas com recorte racial em curso e incorporá-las ao Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Essa conferência, por ser a primeira no Brasil com essa temática, é importante para darmos passos significativos nas esferas municipal, estadual e nacional" afirma Araújo. A 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais se inicia com a assinatura do protocolo de cooperação técnica entre o Governo Federal e Governo Estadual na presença da ministra Matilde Ribeiro, seguida pelo ciclo de debates fomentado pelo assessor para Relações Raciais do Senado Federal, Edson Cardoso. Durante os dois dias, sete grupos de trabalho vão aprofundar as temáticas: gestão não-racista de políticas públicas nas áreas da saúde, assistência social, segurança pública, proteção da criança e adolescente; educação e diversidade cultural; trabalho e distribuição de renda; religiões de matriz africana; comunidades remanescentes de quilombos e população indígena; mulheres negras e promoção da igualdade racial e política internacional - refugiados e imigrantes. Para o diretor-presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados, Fernando Niguri, a participação de imigrantes e refugiados africanos na 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais é um momento único para influenciar a agenda política. "Tivemos uma participação importante em Belo Horizonte e Juiz de Fora. Conseguimos eleger quatro delegados na conferência municipal de Belo Horizonte. Em termos de desigualdades, os africanos que chegam ao Brasil são mais discriminados do que outros grupos étnicos. Por isso, estamos nos mobilizando e queremos contribuir neste processo", explica Niguri. Segundo informações do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados, entidade nacional que articula direitos humanos e advocacia desde o ano 2000, a capital mineira concentra 80 imigrantes moçambicanos, atraídos por convênio cultural entre Brasil e Moçambique, e 45 refugiados africanos e latino-americanos, vindos de Angola, Guiné-Bissau, Camarões, Libéria e Colômbia. |
